27.02.2017 às 14:06
População pede volta do Notii; dois comércios vão fechar por insegurança
Após o término do Notii, foram registrados mais de 60 furtos, 10 assaltos e três mortes até agora
Priscila Dalzotto
Mais Notícias MS
Desde o início deste ano, o Notii (Núcleo de Operações Táticas e Investigativas do Interior) de Chapadão do Sul (MS) não está mais em funcionamento. Os trabalhos do núcleo iniciaram em agosto de 2015.
Segundo o Delegado da Polícia Civil do município, Dr Danilo Mansur, é necessário o valor de, no máximo, R$30.000,00 mensais para que o Notii possa voltar a operar no município.
Antes, esse valor, proveniente de uma parte do duodécimo da Câmara Municipal, era administrado pelo Conselho Municipal de Trânsito e repassado ao Notii.
Ainda segundo Dr Danilo, esse valor não precisa vir, necessariamente, do poder público, ele pode vir também da iniciativa privada.
A Polícia Civil conta que, antes da criação do Notii, o tráfico de drogas tomava conta do município por diversos motivos. “Chapadão do Sul é rota do tráfico, porque a rodovia que corta a cidade, passa pela fronteira com a Bolívia e é caminho para Goiás, isso faz com que seja um prato cheio para os traficantes e usuários”, explica Dr Danilo.
Por isso, antes da existência do Notii, era comum os cidadãos se depararem com ruas fechadas para o tráfico, vários assaltos e furtos por semana. Segundo a Polícia Civil, era uma média de 80 furtos por mês.
Logo no primeiro mês de criação do núcleo, esse número caiu para cinco e a cidade ficou um ano e meio sem nenhuma ocorrência de homicídio.
“Os usuários montavam até barracas e passavam dias usando crack num mesmo local, nós tínhamos uma cracolândia em Chapadão do Sul”, contou o delegado.
Dr Danilo, conta que quase todos os dias era cobrado pela população sul-chapadense, porém não tinha muito o que fazer, pois seu efetivo era baixo.
“Foi aí que eu comecei a correr atrás de fazer alguma coisa, e com a ajuda dos poderes público e judiciário, nós encontramos essa solução, que seria o Notii, pois o policial trabalha 24 horas direto e folga 72, aí esse mesmo policial trabalharia em um desses dias de folga, ganhando hora extra”, explicou.
E foi dessa forma que o núcleo surgiu, em dezembro de 2015, assim a cidade estava segura com a polícia 24 horas por dia nas ruas.
Após o fim do Notti já foram registrados mais de 60 furtos, 10 assaltos em apenas uma semana e três mortes registradas até agora. Por isso, a população clama pela volta do núcleo para voltar a se sentir segura.
Insegurança pública
É quase unanime a vontade de que o Notii retome seus trabalhos em Chapadão do Sul. A população está clamando por mais segurança pública, pois está com medo da onda de assaltos que está tomando conta da cidade.
Coincidência ou não, os números assustadores aumentaram depois da “folga” do Notii.
Para a população, o motivo de tudo isso, não é tão importante quanto encontrar uma solução para que esses números diminuam.
Só nesta última semana, dois comércios do município anunciaram seu fechamento devido aos assaltos sofridos nos últimos dias.
O proprietário do Mercado Albatroz, na Rua Albatroz, Bairro Esplanada, sofreu dois assaltos em menos de uma semana. A insegurança tomou conta da família que vive no mesmo terreno do estabelecimento. Eles estão decididos a desistir do empreendimento por medo de novos assaltos.
Para ele, a segurança da família deve estar em primeiro lugar. “Do jeito que a cidade anda, tudo está muito inseguro, vamos alugar aqui e eu vou trabalhar no meu outro ramo, a segurança da minha família tem que estar em primeiro lugar, e sem o Notii fica difícil”, afirma.
Outro estabelecimento comercial que anunciou seu fechamento é o Mercado Maranata no Bairro Sibipiruna, que também foi assaltado duas vezes em menos de uma semana.
O delegado, Dr Danilo, diz estar disposto a voltar com o funcionamento do Notii em Chapadão do Sul, basta encontrar, juntamente com o poder público, uma solução financeira para esse problema.
Ele lembra que o Núcleo necessita de, no máximo, R$ 30.000,00 mensais para os gastos, e que esse valor pode vir da iniciativa privada.
COMENTÁRIOS
VOLTAR