20.09.2018 às 17:40
Meirelles gasta 59 mil vezes mais que Daciolo, com quem empata
Em “glória a Deus”, o candidato a presidente Cabo Daciolo (Patriota) jejua por 21 dias no Monte das Oliveiras, na zona oeste do Rio. Desde 5 de setembro, Daciolo trocou as ruas pelo retiro e só deve voltar à campanha a dez dias das eleições. Até lá não participa de sabatinas nem de debates, tampouco pede votos.
Do alto do morro diz que ora pela nação e pelo restabelecimento da saúde de Jair Bolsonaro (PSL), que se recupera de uma facada na barriga. A menos de três semanas do primeiro turno, comunica-se apenas pelas redes sociais e em vídeo com seus seguidores.
Mesmo longe da campanha, o deputado está lado a lado com a candidatura mais rica desta eleição, a de Henrique Meirelles (MDB). Os dois estão em empate técnico na última pesquisa Ibope, divulgada nessa terça-feira (18). Meirelles, assim como Alvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo), tem 2% das intenções de voto. Daciolo, 1%. No levantamento do Datafolha, publicado hoje, o emedebista tem 2% e o candidato do Patriota não pontua.
Nas duas pesquisas, a diferença entre eles está dentro da margem de erro. Já nas despesas com a campanha, porém, a distância é oceânica. Meirelles gastou 59 mil vezes mais que Daciolo, segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A montanha de dinheiro, no entanto, tem se mostrado pouco eficaz até agora.
Milhão contra tostão
Dono de uma fortuna declarada de R$ 377,5 milhões, o ex-ministro da Fazenda do presidente Michel Temer tirou do próprio bolso R$ 45 milhões para arcar com a disputa eleitoral. O candidato do MDB já torrou R$ 43,3 milhões em sua tentativa de chegar à Presidência. Desse total, cerca de R$ 30 milhões foram repassados a agências de propaganda e comunicação.
No mesmo período, o candidato do Patriota declarou à Justiça eleitoral ter desembolsado apenas R$ 738,37 até o momento. Todo o valor foi destinado à administração de duas campanhas de financiamento coletivo. Vem de lá toda a receita declarada por ele no TSE: pouco mais de R$ 9 mil.
A exposição no rádio e na TV era a grande aposta de Meirelles para sair das últimas colocações nas pesquisas. O presidenciável tem 1 minuto e 27 segundos diariamente no horário eleitoral gratuito. Perde em espaço apenas para Geraldo Alckmin (PSDB), com 4 minutos e 46 segundos, e Fernando Haddad (PT), com 1 minuto e 31 segundos. Durante a propaganda, nas sabatinas e nos debates, o emedebista tenta descolar sua imagem da figura de Temer. Sempre reforça que foi o presidente do Banco Central no governo Lula, em um dos períodos de maior bonança na economia.
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