17.01.2017 às 06:55
Limitar investimento em educação pode ampliar desigualdades
Enquanto o país ainda tenta entender o impacto da Emenda Constitucional que limita os gastos do governo nos próximos 20 anos, os resultados do PISA de 2015, avaliação internacional com estudantes de 15 anos feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), podem servir como alerta.
O Brasil continua estagnado em ciências e leitura, além de ter melhorado pouco em matemática, com nota abaixo da média dos países participantes. Segundo Esther Carvalhaes, analista brasileira do PISA na OCDE, a falta de investimentos pode prejudicar tanto a redução na diferença de oportunidades entre estudantes ricos e pobres, como a inserção do estudante brasileiro em um mercado de trabalho global.
“Os estudantes precisam aprender a raciocinar, a aplicar esses saberes na vida cotidiana e no mercado de trabalho. Se o Brasil não puder facilitar esse tipo de aprendizado, seus alunos vão ter dificuldade de se inserir mais tarde não só no mercado global, mas enfrentar a concorrência, que vai estar à frente”, disse a analista do PISA.
Apesar de o valor investido pelo Brasil ter aumentado em relação a 2012, chegando a US$ 38.190, ele não chega nem a metade do investimento médio feito em países da OCDE, US$ 90.294 (Esta proporção correspondia a 32% em 2012).
Ainda assim, reforçar investimento é importante, visto que o país ainda apresenta alto percentual de alunos em camadas desfavorecidas: 43% dos alunos se situam entre os 20% mais desfavorecidos na escala internacional de níveis socioeconômicos do exame.
A analista do PISA também comenta o baixo desempenho das escolas privadas brasileiras quando comparadas a instituições semelhantes em países que integram a OCDE. Segundo Esther, isso pode indicar um “problema generalizado”, visto que nem aqueles com nível socioeconômico maior conseguem se destacar.
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