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07.11.2017 às 06:27

Exercício recupera perda de massa óssea e muscular após bariátrica

Resultados preliminares são de pesquisa com pacientes do Hospital da Clínicas que realizaram cirurgia para redução de estômago

Exercício físico minimiza perda de massa óssea e muscular em pessoas que foram submetidas à cirurgia bariátrica. Segundo uma pesquisa feita na USP, a atividade física não só reduz estes efeitos adversos como também potencializa os benefícios do procedimento cirúrgico.

As constatações fazem parte de um estudo, cujos dados ainda são preliminares, feito por pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, com pessoas que passaram pelo tratamento de combate à obesidade no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Os pacientes tiveram acompanhamento durante nove meses. Três meses após o procedimento, um grupo foi submetido a um programa de exercícios físicos, enquanto que outro não teve atividade física estruturada indicada. Foram prescritos exercícios de força e aeróbicos, três vezes por semana. No decorrer deste período, foram feitas algumas avaliações para verificação da composição corporal, da funcionalidade e dos parâmetros metabólicos, entre outros.

Três meses após a cirurgia, todos os pacientes obtiveram os benefícios clássicos proporcionados pelo procedimento cirúrgico – redução de peso e gordura corporal e melhora dos parâmetros de risco cardiovascular e metabólicos. Porém, neste mesmo período estes ganhos vieram acompanhados de significativa redução de massa óssea e de força muscular, efeitos associados à cirurgia.

Os resultados mais interessantes foram constatados seis meses depois para os pacientes que incluíram em sua rotina diária o exercício físico. Segundo Hamilton Roschel, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, um dos autores da pesquisa, o grupo que se exercitou perdeu mais gordura corporal e visceral – cerca de 60%, do que o grupo que apenas realizou a cirurgia; obteve ganhos expressivos de força e função musculares; teve melhora dos parâmetros metabólicos relevantes relacionados à resistência e sensibilidade à insulina; e apresentou queda nos fatores relacionados ao risco de doenças cardiovasculares, além de menor perda óssea.

Roschel não é contrário à realização da cirurgia bariátrica porque, segundo o pesquisador, o procedimento já tem comprovada eficácia na melhora de parâmetros de saúde em indivíduos obesos. O que se propõe é “dar mais atenção à mudança comportamental de quem passa pelo procedimento”. No pós-cirúrgico, os pacientes precisam continuar sendo acompanhados por uma equipe multidisciplinar com psicólogo, nutricionista e a inclusão de um profissional de educação física, conclui.

Cirurgia bariátrica

O procedimento é cada vez mais recomendado para o combate à obesidade, um problema de saúde pública de proporções endêmicas no mundo. Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade no Brasil cresceu cerca de 60% nos últimos dez anos, índice que pode ter contribuído para o aumento da prevalência de doenças crônicas como diabete tipo II, hipertensão, doenças hepáticas gordurosas e cardiovasculares e alguns tipos de cânceres.

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