Sábado, 06 de Junho de 2026
Chapadão do Sul / MS

Carregando...

Costa Rica / MS

Carregando...

Cassilândia / MS

Carregando...

Chapadão do Céu / GO

Carregando...

Camapuã / MS

Carregando...

19.06.2017 às 07:55

Estudo mostra violência e falta de apoio vivenciada por jovens homossexuais

É de conhecimento comum que a população homossexual tem que superar incontáveis dificuldades em todos os aspectos da vida. Mas esses problemas vão muito além daquilo que se conhece e é diariamente divulgado, especialmente no casos dos jovens.

Em uma idade mais vulnerável social e emocionalmente, esse grupo ainda tem  acesso precário e nada eficiente às redes de apoio social – família, amigos, comunidade – que deveriam ajudá-los a enfrentar a violência que sofrem. Assim aponta estudo da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, realizado pela terapeuta ocupacional Iara Falleiros Braga.

A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com 12 jovens e adolescentes, com idade entre 14 e 24 anos, que passaram por algum tipo de violência. Os resultados mostraram que, independentemente do sexo, todos os jovens consultados relataram sofrer agressões físicas em ambiente familiar ou escolar. Os homens são vítimas de agressão física principalmente nos espaços públicos. Mas a variedade de tipos de violência vivenciada pelo grupo é grande – passa pela psicológica, sexual e até a autoinfligida, como ter pensamentos suicidas.

Sentir a violência

A partir dos resultados da pesquisa, a autora fez quatro tipos de análises. A primeira discute as vivências de violência que os entrevistados experimentaram, evidenciando-se diversos tipos de agressões a que foram expostos na vida.

A segunda diz respeito à difícil experiência no processo de se assumir para a família, que, por sua vez, segundo os relatos, não acredita e acusa o jovem de estar louco ou não saber o que diz.

A terceira análise discute a questão de gênero, que, nesse caso, é ainda mais complexa. Neste aspecto, os meninos sofrem mais que as meninas, uma vez que a sociedade acredita que eles devem mostrar virilidade e masculinidade.

E, por último, foram analisadas as fontes de apoio, que são, em sua maioria, as figuras femininas da família e os amigos homossexuais, por vivenciarem situações parecidas em seus cotidianos, o que os tornam mais empáticos e solidários.

A pesquisadora conta ainda que situações de preconceito, opressão, tratamento diferenciado e outras formas de exclusão também foram relatados pelos jovens. “As consequências desse universo de violência e preconceito são os sentimentos de medo e de sofrimento e, o mais grave, as tentativas de suicídio. Um dos participantes narrou essa experiência de ideação e tentativa de suicídio, causada pelo sofrimento gerado pela violência sofrida”, conta Iara.

Rede social ineficiente

A rede social é formada pela família, amigos, trabalho, estudo e comunidade e é responsável por oferecer apoio ao adolescente e jovem homossexual. É considerada de qualidade, por especialistas, quando é capaz de fornecer laços e proteção a essas pessoas, visando à garantia de seus direitos e à diminuição da vulnerabilidade às diversas formas de violência a que estão expostas.

Diante desses casos, a pesquisadora diz que a rede social não foi funcional. Foi notada, também, ausência de apoio social vindo dos serviços de saúde da comunidade. “Isso demonstra a carência de ações voltadas para a promoção da saúde, para o combate à violência e de práticas de saúde focadas nas necessidades dessa população”, revela.
 

COMENTÁRIOS

VOLTAR