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25.07.2017 às 08:32

Dieta rica em leite e derivados pode reduzir intoxicação por chumbo

Leite não é panaceia para qualquer intoxicação, como muitos acreditam. Mas é verdade que o alimento ajuda a proteger o organismo humano da ação de metais pesados, como o chumbo. E tudo se deve ao cálcio, mineral abundante no leite e seus derivados,  capaz de competir com o chumbo no organismo e fazer com que o metal tóxico seja eliminado com mais facilidade.

O poder neutralizador de nutrientes já presentes na dieta sobre compostos tóxicos  já é conhecido. Quanto ao chumbo, diversos estudos apontam para uma possível ação protetora do cálcio. Mas agora, grupo de pesquisadores de USP, Unifesp e Universidade Federal do ABC sugerem que a ingestão de leite e produtos lácteos pode diminuir concentrações de chumbo em trabalhadores cronicamente expostos ao metal.

Ao contrário de estudos anteriores, feitos com animais de laboratório ou populações expostas ambientalmente a baixas concentrações do metal, desta vez foram avaliados 237 funcionários de indústrias produtoras de baterias automotivas brasileiras. Conta Willian Robert Gomes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP e responsável pela pesquisa, que estes indivíduos são “expostos ao chumbo por períodos longos, já que alguns passam anos trabalhando com o metal”.

Ao investigar as dietas desses trabalhadores, Gomes relacionou o consumo de leite e derivados e a influência do chumbo nos indivíduos expostos cronicamente ao metal. Além da dieta e estilo de vida, a pesquisa avaliou as concentrações do chumbo no sangue, plasma e urina.

Os resultados corroboram com achados anteriores. O cálcio – fornecido pela ingestão de leite e seus derivados – mostrou efeito benéfico contra o chumbo, mesmo nos casos de exposição crônica. Os trabalhadores que consumiam leite e derivados pelo menos três vezes por semana apresentaram concentrações médias de chumbo em seus organismos muito mais baixas que aqueles com ingestão menor desses produtos.

A concentração do metal no plasma (parte líquida do sangue) também ficou bem menor nesses indivíduos, o que indica que o chumbo “é menos suscetível a causar danos ao sistema biológico desses trabalhadores”, conclui o pesquisador. Por parâmetros toxicológicos, o plasma é considerado de grande importância pois está “relativamente livre para chegar até tecidos-alvo, como o cérebro, rins e medula óssea”.

Gomes enfatiza que as informações obtidas em seu trabalho dizem respeito à relação do trabalho com o agente tóxico e a nutrição – leite e seus derivados. De acordo com a legislação vigente, “as concentrações sanguíneas de chumbo encontradas em todos os indivíduos do presente estudo estão dentro do limite estabelecido”, diz.

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