06.06.2017 às 10:10
Colher para pessoas com dificuldades motoras será feita no Brasil
Um projeto de pesquisa realizado em conjunto entre a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) gerou um protótipo funcional de uma colher adaptada para pessoas com dificuldades motoras decorrentes de limitações ocasionadas por doenças como, por exemplo, o Parkinson.
Com o protótipo já em fase de testes, ainda deverá ser feito um trabalho de avaliação conjunto entre as duas instituições para os ajustes finais do produto. A perspectiva de lançamento comercial é para o final de 2017 e o preço deve ser acessível aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
O utensílio obtido pode ser utilizado sem restrições por pessoas que tenham graus iniciais da doença de Parkinson ou acometidas de outras doenças e acidentes que geram dificuldades neuromotoras, as quais dificultam a ‘pega’ no cabo de uma colher comum. “O dispositivo projetado possui, no cabo para acomodação da mão, quatro compartimentos nos quais é possível inserir água para alterar o peso, melhorar a estabilidade da preensão [capacidade de agarrar] e, assim, dar mais autonomia ao usuário durante o processo de alimentação”, explica a professora do Departamento de Engenharia Mecânica (SEM) da EESC, Zilda de Castro Silveira.
Como o projeto se desenvolveu?
A demanda por essa pesquisa foi identificada em 2014 pela graduanda em Terapia Ocupacional da UFTM, Beatriz Pachelli, durante o desenvolvimento de seu trabalho de conclusão de curso sob orientação da professora Alessandra Cavalcanti de Albuquerque e Souza. Na ocasião, Beatriz realizou testes com duas colheres, uma padrão e outra adaptada, em pacientes com Parkinson.
Os resultados com o utensílio adaptado foram positivos. Mas por se tratar de um item importado, seu preço é alto. As pesquisadoras consideraram então a possibilidade de se desenvolver um novo modelo de colher que fosse acessível para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A partir daí se iniciaria um novo trabalho entre as professoras Alessandra e Zilda de Castro Silveira, do Departamento de Engenharia Mecânica (SEM) da EESC. A professora Zilda já havia atuado como coorientadora de doutorado de Alessandra no programa de Bioengenharia, que, além da EESC, envolve também o Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), ambos da USP.
Sob orientação da professora Zilda, o aluno de mestrado do SEM, Artur Valadares de Freitas Santos, trabalhou em seu mestrado na busca de soluções totalmente mecânicas que permitissem um custo de fabricação mais baixo para a colher adaptada.
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