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17.04.2017 às 08:00

Opinião: "Corrupção e educação"

Fabio Francisco Esteves
Colunista Mais Notícias MS
Caro leitor, já havia alguns dias que não nos encontrávamos aqui na coluna.

Dias estes em que o Brasil toma conhecimento de uma lista imensa de políticos que receberam dinheiro para suas campanhas, sem que o valor fosse declarado à Justiça Eleitoral. Para mais grave do que isto, é o fato de essas doações terem sido realizadas em troca de contratos bilionários e outros interesses que lesaram violentamente os cofres públicos.

Este não é o único e maior escândalo de corrupção na política, por todos os lados, nos municípios, nos estados e no governo federal vimos situações que nos levam a questionar se ainda há “jeito” como se dizem nas conversas populares.

De fato, a corrupção tornou-se um processo epidêmico (de epidemia mesmo), na política brasileira, algo gigantesco, complexo e até mesmo cultural.

A operação Lavajato tem demonstrado a faceta da responsabilização criminal das condutas de corrupção. Mas, seria esta a solução para o efetivo combate à corrupção? Inicialmente, sem dúvidas, até porque cofres públicos foram gravemente lesados. Todavia, não vejo como algo que seja o instrumento de transformação do cenário político.

Em outro escrito aqui na coluna, tratei da existência da corrupção nos atos da vida comum das pessoas, o “dar o jeitinho”, que parte desta escala menor até os escândalos que vemos nos últimos tempos. É a mesma corrupção, a meu ver.

Neste contexto, a corrupção tem algum grau de aceitação, quando não for para me prejudicar é aceitável, se for para me beneficiar, mais ainda. Se for para punir alguém por corrupção que seja outra pessoa que não eu, perfeito! E aí temos o bode expiatório (o político que vai para a cadeia), e o combate à corrupção estaria seguindo bem.

Ocorre que o problema do “jeitinho” que se transforma em um processo de corrupção como este que estamos assistindo, que é cultural em alguma medida, precisa ser o objeto do início do combate à corrupção, e aqui, a aposta sincera é a educação.

Uma cultura apenas se transforma se outra for constituída e valorizada. A educação como instrumento que permite ao indivíduo a compreensão de seu lugar no mundo, na sociedade e em si mesmo, pode promover uma nova cultura.

A educação formal, aquela que não critica as estruturas de poder existentes, continuará mantendo este ciclo vicioso de “jeitinhos” de quase todo mundo, que resulta nos políticos corruptos que temos. Transformar este cenário exige uma postura de tomada de consciência. Percepção de um mal estar ético e moral, tão necessário para a construção de uma cidadania cooperativa, aquela em que cidadãos estão empenhados em realizar os direitos fundamentais uns dos outros.

Educar para combater a corrupção é tirar a cegueira do indivíduo, aquela que esconde o entendimento acerca do tanto de prejuízos que sofremos quando, pela ignorância, mantemos um sistema que oprime para manter a condição exploradora de uns.

Há quanto tempo nos indignamos porque os “políticos” apenas “aparecem” em tempos de eleições? São eleitos e não sabemos o que fazem. Na verdade, para uma enorme parcela do povo, nunca fazem nada! Certo que isto não é desta forma, mas evidencia o distanciamento que existe entre o cidadão e seu o representante, o cidadão e a esfera da política. Este distanciamento só pode resultar na privatização do Estado por alguns políticos, com todas as consequências que estamos assistindo há tempos, mais agudas ultimamente.

É preciso frisar que estas consequências são resultado daquele “jeitinho” que começa lá na nossa vida privada.

Uma educação para a cidadania cooperativa compreende o indivíduo como protagonista, em direitos e em deveres, da organização social, que engloba o funcionamento do Estado, o entendimento da representação do político e as exigências que de tudo isso decorre para a realização dos direitos do indivíduo.

A título de exemplo, não é compreensível que em uma sociedade que se diz justa e democrática, a maioria social sequer compreenda o processo eleitoral que elege, em muitos casos, um candidato que obteve menos votos que outro nas eleições proporcionais. Menos compreensível ainda que ao elegermos um candidato, não nos tornamos imunes quanto à nossa responsabilidade para com a sociedade, para com os nossos e os direitos dos outros.

Esta “falta de educação” torna o combate à corrupção uma missão que só não é impossível porque a educação é um poderoso instrumento de esperança e transformação.
 

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